Abril 2014

Aventura pelo Côa

por Jorge Lopes » 16 abr 2014, 00:41

Caros amigos, começo por dizer que este relato não existiria não fosse um dos vários amigos que este fórum me deu o privilégio de conhecer, insistir para o fazer. Trabalho, saúde, contrariedades, eu sei lá, tudo serve por vezes para nos afastar de uma maior participação. A amizade, humilde, a disponibilidade, infelizmente neste mundo actual não estão ao alcance de todos apenas de alguns.

Este é o relato de um fim de semana, iniciado na sexta feira, passado todo ele junto ao Rio Côa na companhia de alguém que considero um amigo especial. Devo acrescentar que por acaso trabalhamos os dois na mesma área, em funções diferentes é certo mas que se não fosse o mesmo gosto por algo relacionado com canas, carretos, linhas e peixe, nunca usufruiríamos de momentos verdadeiramente hilariantes, convívio e boa disposição.

Iniciámos as hostilidades cerca das 17 horas, com um tempo nublado, sem chuva, o rio a apresentar águas bem transparentes, com razoável caudal, margens bem alargadas naquele local e ausência de qualquer actividade das nossas amigas, aliás, facto que se verificou durante os três dias e como dizem os nossos mestres truteiros as perspectivas não eram as melhores. Este final de dia apenas marcado por episódio protagonizado por três canídeos a largarem de imediato o rebanho quando avistaram dois indivíduos com dois paus nas mãos e a porem à prova um eficaz apito ultra-sons. Sem o pastor por perto não sei mesmo como iríamos sair daquela situação sem o bendito apito. Surtiu o efeito desejado mas estes pinschers eram bem grandes e com uma vontade enorme de me furar os vadeadores.

Dia seguinte, passado todo ele no rio com almoço marcado num qualquer local belo, como tantos outros à escolha, sem presença humana (ou canídea), com troços mais curtos entre margens e alguns açudes menos fundos, mas sem a presença das nossas amigas. E eu a pensar que trutas, só mesmo para alguns e não vou mencionar nomes por que todos nós sabemos quem são os mestres na matéria. Mas digo-vos o seguinte: a ausência de capturas a não afectar em nada a boa disposição de ambos os intervenientes. O rio faz milagres, renova a alma e dá um enorme relax.

jorge lopes paisagem 1

Domingo, nova jornada, limitada à parte da manhã, e uma maior exigência no sentido de conseguir aquela captura que certamente imaginamos acontecer a qualquer momento. Água a continuar transparente e o sol a aparecer finalmente. Iniciámos o percurso para jusante, sempre mantendo as esperanças de obter aquela captura que tanto ansiamos. A ideia é uma viagem de regresso a Lisboa com o ego bem elevado. Alguns kms depois a chegada ao açude que considero o local mais belo de todos os troços que conheço do rio Côa.

jorge lopes paisagem 2

E apostei mesmo em frente ao açude com maior profundidade, poços bem fundos, curso do rio mais rápido, fundo com pedras enormes, margens com amieiros, carvalhos e esta paisagem com um velho moinho abandonado a oferecer belas imagens.

Amostra lançada para a queda de água, a percorrer a margem contrária, a descer o rio e a aproximar-se de mim e foi assim durante algum tempo com uma recuperação bem lenta. Amostra perdida penso que uma Peson e Michel mas nada de desistir. E com o final a aproximar-se a eleita: Mepps nº 2 dourada com pintas vermelhas. Com os pés assentes nas raízes de um amieiro que mergulham no rio, lanço mais uma vez e concentro toda a atenção na amostra na sua descida rápida na corrente, e a cerca de 3 metros quando a visualizo surge a protagonista, saída do esconderijo com um ataque impressionante, digno de um verdadeiro espectáculo e aí está uma luta impressionante ao cair do pano. Ainda tive de contornar o amieiro com uma mão pois estava com dificuldades na recepção de tão nobre peixe. Mas que grande alegria e um fim de semana magnífico. Agora só para o ano se Deus quiser.

jorge_lopes_truta

Ficha Técnica:
Cana: Penzon e Michel Redoutable Sinal 2,10 3-12g
Carreto: Shimano Rarenium Ci4 3000
Multi: Power Pro 0,10

Colher: Mepps dourada pintas vermelha

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