Janeiro 2014

Teimosia…

por Rui Almada » 28 jan 2014, 02:37

Boas companheiros, quase não dá para acreditar no rigor deste inverno. É demais. Praticamente 2 meses com mar grande, ventos fortes…pouca pesca! Às vezes o mar cai ligeiramente, mesmo não sendo o suficiente, vou lá experimentar. É mais forte do que eu… Acordar cedo e tentar a sorte, tem sido uma constante nos últimos dias.

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Tem dado para molhar as amostras, mesmo só sendo perto da margem. O mar não permite muito mais… Os peixes não tem aparecido, ouvem-se apenas histórias de um peixe esporádico que saiu aqui e ali. Mas não se pode deixar de tentar… Ontem a meio da manhã, quando já estava a baixar os braços, arrumando a tralha para ir para casa, o meu parceiro recebeu um telefonema sobre uns peixes que saíram mais a sul…

Não perdíamos nada em ir espreitar, até porque ficava de caminho. No trajecto comecei a pensar na zona que falaram, no tamanho do mar e na altura da maré. Passou-me pela cabeça como é que se tiraria ali um peixe, naquelas condições, porque conheço bem o pesqueiro… e ainda não tinha visto como estava, mas já imaginava…

É uma zona frequentada por malta que pesca ao fundo, principalmente na maré vazia. Na maré cheia e mar grande nem dá para estar ali, sem ir para casa molhado até às cuecas, quanto mais pescar e tirar peixe! É um pesqueiro manhoso! Complicado!

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Mas rezava a história que os peixes tinham saído no pico da enchente. Chegados ao local, encontrámos alguns conhecidos pescadores da zona que confirmaram. Canas partidas, poucos peixes em seco, muitos peixes perdidos e um cemitério de amostras…Tinha sido assim a última hora. Festival! É impossível explicar-vos a dureza daquele pesqueiro. Não fiquei minimamente espantado com a história que acabara de ouvir. Dar com o peixe ali, naquelas condições…é faixa de Gaza!

Pesca-se muito longe da água e mesmo assim ainda se leva com o mar… Deixo-vos uma foto com 4 horas de vazante. A foto foi tirada da zona onde se pesca, a 10 metros de altura, quando o mar recuava. Segundos depois mais uma onda galgava as pedras quase até cá acima. Agora tentem imaginar cravar um bom peixe aqui de maré cheia, ondas a bater de frente, mar de 4 metros e período de 17…

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Apesar de dizerem que o peixe já não andava lá, fui tentar a minha sorte! Não me passava pela cabeça que não estivesse ali um único peixe… Pouca gente na área, muito espaço para mim e esperança na alma! O meu companheiro pouco tempo depois já estava de cana vergada a gritar por ajuda! A escoa era tão forte, que um peixe de kilo e pouco parecia que tinha o triplo! Amigos não estou a exagerar…

Ajudei como pude mas as pedras e a escoa levaram-lhe o peixe…normal! Mais uns lançamentos e lá estava ele de cana vergada outra vez! Mais do mesmo…na recta final…adeus peixe…normal! Estou a falar do primeiro pescador de spinning da Costa de Caparica…um mestre! Eu entretanto levo uma trancada valente, mas não ferrou. Afinal ainda havia festa e somente para os poucos que acreditaram…

Novamente o carreto do meu companheiro a cantar…”é tarolo, é tarolo, tens que me ajudar ” – gritava ele. Muito suou ele com aquele robalo. O peixe não se mexia. Com muito custo começou a trazer o peixe e conseguimos vê-lo…nem 2 kilos tinha…mas vinha ferrado de lado! Deu-me a cana para as mãos e foi lá buscá-lo…de raiva…e conseguiu!A actividade começou a abrandar. Os 2 ou 3 pescadores que por lá andavam desistiram e encaminharam-se para sul. Nós também. A meio do caminho parei. “Vão andando que fico aqui a fumar um cigarro e já vou”

Estava a custar-me abandonar aquele local…decidi voltar para trás! Comecei a pescar sozinho. Lá longe espreitava os outros a ver se via uma cana vergada. Nada… Fui à bolsa trocar de amostra. Ao segundo lançamento cravo um peixe! Sozinho…agora é que ia ser bonito! Peixe bom a levar linha, a aproveitar a escoa que se estendia por umas dezenas de metros. Eu já suava do bigode! Tinha que manter o peixe até ele começar a perder as forças. Quando ele decidisse desistir é que eu ia pensar no esquema para o capturar.

Os outros estavam a 500 metros, nem os meus gritos ouviam… Comecei a fechar o carreto aos poucos. Enquanto se aproximava o nosso encontro, tentava perceber qual o melhor sítio para meter o peixe a seco…mas ali simplesmente não existe! A solução era aproveitar uma onda e enfiar o peixe num buraco. Depois ir lá abaixo buscá-lo no espaço de tempo entre ondas. Estava completamente mentalizado que o mais certo era perdê-lo. Bem já tinha o plano…vamos embora!

Carreto trancado e peixe a surfar numa onda direito às pedras. Dá-se o impacto e deixo de vê-lo. O mar recua e percebo que tenho o flúor numa pedra e o peixe pendurado. Não dava para vê-lo, mas ainda lá estava. Ali eu não conseguia ir. Na segunda onda puxo outra vez por ele e lá o enfiei num buraco mais para cima. E agora? Vejo um rapaz por perto e peço ajuda. Segurou-me na cana. Pedi-lhe para manter a linha tensa mas não fazer demasiada força. Esperei que o mar acalmasse e fui buscar o robalo. Felizmente cheguei a tempo e o mar não o roubou! Tive muita sorte…

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Quando estava a descravar o peixe, oiço nas minhas costas…” A maior virtude de um pescador é a teimosia! ” Eram os outros, que estavam novamente a regressar à base, animados com a minha captura…mas este era mesmo o último peixe que andava por ali…À noite chamei o Cláudio do team Leiteiros da Bobadela para voltar lá comigo. Combinámos às 21h30…mas o pesqueiro só nos deixou brincar a partir das 00:00…o vento estragou a festa e à 1h30 desistimos, sem um único toque…

A minha esperança era que o leiteiro crava-se ali um de 10 kilos, para eu rebolar a rir enquanto ele suava do bigode e chamava pela mãe!!!

Abraço a todos

Ficha técnica:
Cana: Shimano Diaflash 3,60
Carreto: Shimano Symetre 4000 FJ
Multi: Sufix 832 0,24
Terminal: Asso 0,45

Amostra: Lucky Craft Flashminnow 130MR
Peixe: Robalo com 2,800g

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