Julho 2016

De volta às origens
por Afonso Gregório» 28 jul 2016, 00:58

Durante os últimos tempos, fruto do pouco espaço de manobras da faculdade, não tive muitas oportunidades para vir ao meu cantinho que tanto gosto. Porém, aquando do final do 4º ano, assim que surgiu a oportunidades, aproveitei para regressar. A pesca, essa, sempre em mente, não tardou a surgir. Nem mesmo a mais bela das vistas me conseguiria prender em casa.

Como já aqui não pescava há algum tempo, nada melhor mesmo que que simplesmente ir e ver o pesqueiro. Assim fiz, aproveitando a hora da maré, fui fazer uma pesca rápida no final do dia. Uma vez no pesqueiro, lá estava, no sítio do costume, um bonito espumeiro.

E, sem hesitar, foi lá que pesquei. Vinil na água e pouco depois ferrei o primeiro robalo, para abrir a temporada. Um bonito robalo da pedra, escuro como manda a regra. Bem gordo também! Calmamente o tirei da água e coloquei na pedra para fotografar.

Foi a estreia, com peixe, da Cinnetic! As pedras estão cobertas de pequenas algas, e as águas, por sua vez ricas. Fruto disto duas coisas sucedem: a primeira, é que muito peixe encosta para mariscar os mais diversos crustáceos e marisco em geral, o que por sua vez invoca a presença do robalo; a segunda, é a favor do pescador, pois a amostra/vinil quando bate na pedra não tem tanta tendência a prender, apenas arranca as algas da superfície da pedra e, na generalidade, evitam-se prisões entre as pedras.

Não pude, no entanto, deixar de notar a ausência do limo tão típico desta zona e que começa a ser único (em quantidade) em Portugal. O limo está muito pequeno para a altura do ano, mas no entanto, em crescimento acelerado – no espaço de uma semana nota-se um crescimento espantoso. Fora este aparte, adiante… Continuei a pescar, e nesse mesmo espremido ainda fiz um júnior, que depois da foto rapidamente voltou à água.

A minha “pedra mágica”, essa, deixaria para o dia seguinte, pois ia ter companhia… Já há algum tempo que tinha desafiado o Cláudio para ir ao meu cantinho. Poucas oportunidades tinham surgido entretanto, mas desta vez lá conseguimos combinar a dita jornada. Na noite anterior tentei aconselhar o Cláudio acerca do material a levar – se bem que ele (até) é bom pescador e antes de falarmos já tinha o arsenal praticamente todo certinho! De manhã cedo, ao romper do dia encontrei-me com o gradeiro e levei-o ao pesqueiro. Ainda lá de cima vimos um mar com bom aspecto e boas condições, bem como uma manhã nada ventosa, ao contrário do que indicavam as previsões. Sem mais demoras nos equipámos e… começámos a descer.

Creio que esta foi a etapa que mais tirou o Cláudio para fora da zona de conforto, é diferente do habitual – mas nada como pescar em sítios diferentes e experimentar condições diferentes, qualquer Pescador tem a ganhar com isso. Pelo caminho lá fomos nós sempre na galhofa acerca da descida, como seria de esperar! Já no pesqueiro rapidamente levei o “estreante” para junto à minha “pedra mágica” e foi lá que começou a faina. Estávamos a pescar lado a lado, e eis que lanço para uma fileira de pedras que emergiam fora de água… pouco depois tinha o primeiro peixe ferrado. Captura essa registada em vídeo.

Com o peixe fora de água lá tirámos uma foto antes do peixe ir para a água!

Continuámos a pescar e pouco depois foi o Cláudio a ter um toque, que não conseguiu ferrar! É difícil, por vezes, quando o vinil vem constantemente a bater na pedra, perceber quando é peixe e reagir. O Cláudio apenas teve tempo de ver linha a sair do carreto e… tão depressa como atacou, acabou por desferrar.. Foi pena, mas não baixámos os braços, siga para o próximo! Próximo esse que me calhou a mim assim que mudei de pedra para conseguir ganhar espaço para cobrir mais uma zona de pedra baixa. Novamente um peixe pequeno que voltou para a água.

Pouco depois o Cláudio teve novo toque, peixe que desta vez ferrou bem! Sem cortesias e demoras, tinha o peixe nas mãos! Mais uma vez, como já tem vindo a ser “tormenta” para o Cláudio, a meio do vídeo da captura, eis que a câmara fica sem bateria… aff, que frustrante!

Seguiram-se as fotos! O Cláudio rapidamente tratou de tirar umas selfies enquanto eu não chegava ao pé dele eheh. Quando cheguei, com todo o gosto lhe tirei uma foto com o peixe!

A parte gratificante, a libertação.

O dia começava a abrir e o sol crescia sobre as nossas cabeças. O mar começava a empurrar-nos para fora e vim-nos obrigados a mudar de pedra. Ainda experimentámos mais umas pedras, mas os resultados não surgiram. Apenas mais um peixe, pequeno também, que à beirinha da água se desferrou e fez o trabalho por mim! A pesca estava feita, restava-nos a subida e, posterior almoço! De estômago aconchegado lá me despedi do Cláudio, que da minha parte, sabe que é sempre bem vindo! No dia seguinte nova pescaria, apenas para registar um peixe atrevido devolvido à água!

No dia seguinte, a partir de meio da tarde o nevoeiro começou a entrar, acabando por cobrir toda a zona de um manto branco. Quem me conhece sabe que adoro pescar no nevoeiro.. e, para além de gostar, tenho quase sempre (para não dizer sempre) resultados. O mar tinha caído bastante e era este o cenário que encontrava já ao fim do dia:

Comecei com o vinil para bater água rápido, mas a abordagem teria que ser diferente… coloquei um senko em weightless e assim pesquei durante um bocado, muito lento mesmo. Sem resultados rapidamente me virei para a superfície. Tenho que confessar que a pesca à superfície no mar sempre me deixou de pé atrás, aliás, raras são as ocasiões em que levo os passeantes a banhos – erro grave da minha parte. Mas nesse dia estava decidido a acabar a jornada à superfície. Coloquei a minha Rapala X-Rap Walk, amostra grande e volumosa, e comecei a pescar!

Conseguia metê-la a trabalhar com muita facilidade e num misto de WTD e paragens fui sondando onde sei que estão as pedras submersas. Num dos lançamentos, a passar mesmo por cima de um cabeço de pedras, a crista da onda deixa o passeante para trás e pancada violenta… para incrível espanto e alegria minha, tinha acabado de ferrar o meu primeiro peixe à superfície! Só tenho pena de não ter conseguido ver o ataque.. Nem queria acreditar, estava em êxtase! Uma das fateixas ferrou junto à barbatana oferecendo-me um bónus à luta com o meu primeiro peixe à superfície! Com calma trouxe o peixe ao pé de mim, consegui cobrar e fotografar!

Foi o meu primeiro Robalo à superfície, peixe bonito que não vou esquecer. A minha pesca estava feita, e mais radiante eu não poderia estar! No dia seguinte, condições semelhantes pela manhã. E, estando eu numa localização privilegiada a 5 minutos do pesqueiro, prontamente me decidi a ir pescar. Ainda com o entusiasmo do dia anterior optei por pescar novamente à superfície. Desta vez a X-Rap Walk não foi a banhos, não a quero perder fruto de um lançamento arriscado – pois quem me conhece sabe que lanço muitas vezes para zonas “complicadas”.

Optei por uma Rapala Skitter Walk que tinha desde há muito e que tinha pintado num tom “ghost sardine”. E assim pesquei, sempre atento ao trabalhar da amostra. Até que… vejo movimento atrás da amostra e um espalhafato grande! Se um peixe à superfície tinha sido bom, dois então era já uma alegria! Uma bonita baila atrevida decidiu abocanhar o passeante!

Acabaria por ser o único peixe do dia, mas tinha-me dado algo que não se pode comprar, uma satisfação incrível. Porque, desta vez, vi mesmo o ataque, tudo ali à minha frente!  Fiz mais uma pesca entretanto, mais um final de tarde, uma pesca rápida, num pesqueiro ao lado. Ao segundo lançamento um robalote atrevido lá se decidiu a atacar o vinil. Um peixe mesmo escuro e bem bonito, que sem dúvida merece crescer!

Poucos lançamentos depois, a pescar num espumeiro que se formava mesmo junto aos meus pés sinto um toque, vejo um peixe, novo toque e… peixe ferrado! Este já maior, de tons semelhantes e incrível beleza. Lombo negro e flancos dourados, Robalo da pedra.

Foram poucas as pescas que fiz, mas de realçar que todas elas com peixe. Podia ir mais vezes, com mais frequência, mas tenho optado por ir quando me parecem as condições certas para as pedras onde vou pescar. Pois, num mesmo pesqueiro, num espaço de dezenas de metros tudo muda! O mar nunca é muito grande ou muito pequeno, há sempre um local (pelo menos) onde se consegue pescar. Há, porém, muito mais variáveis do que o mar estar “grande” ou “chão”, e é com isso que é preciso jogar.

Apesar de não me poder queixar e comprovar que este continua a ser um pesqueiro bem preservado e com abundância da vida, o peixe é, na generalidade, pequeno. Tenho estado nestes dias a aguardar que o mar cresça, até ao dia em que comece a arrancar o limo (já grande) da pedra. Pois quando assim for e verificar que tenho condições que considero “ideais”, é com toda a certeza que afirmo que é junto ao mar que vou estar, em busca de um peixe de respeito a caçar num mar para eles… ideal, para nós.. “difícil”.

Ficha técnica:
Cana: Cinnetic Crafty Seabass 270
Carreto: Shimano Stradic 4000 FI
Linha: Berkley Whiplash Crystal 0,06 / terminal mono

Amostras: Vinil caseiro / Rapala X-Rap Walk / Rapala Skitter Walk

Um abraço,
Afonso Gregório

Facebooktwittergoogle_plus

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *